Aldeia global é por ventura o melhor dos conceitos para descrever a estranheza do mundo tal como lhe vimos hoje. É a aldeia pela quantidade de ligações sociais que conseguimos estabelecer e global porque de facto estas não dependem do espaço. Aliás mesmo com amigos e inimigos nos 5 cantos do mundo a nossa vida ainda não saiu da aldeia, a nossa capacidade social ainda lá permanece.
Criamos a nossa volta uma rede de afectos de horda com um ambiente de mega-metrópole. A isto soma-se-lhe o facto de o tamanho do ambiente social, em termos de número de pessoas, já não estar limitado aos recursos e como tal possível de se estender até aos seis biliões de amigos ou inimigos que cada um pode ter. E de facto isto não acontece por falta de tempo, oportunidade, ou proximidade espacial mas por que os nossos cérebros hordeiros não o permitem. Nem numa cidade com poucos milhares de pessoas a consciência do tamanho da nossa horda chega a essa escala quanto mais para um mundo globalizado.
A globalização não existe como facto social mas antes como possibilidade. E para que tal se estabeleça tem que acontecer o nosso cérebro evoluir nesse caminho. De momento ainda não se deu mas é possível que tal venha acontecer, mas atendendo ao calculo da quantidade de recursos e à experiência da velocidade que essas mudanças ocorrem pode bem ser que nunca o venhamos a experimentar. Pelo menos na nossa versão Homo sapiens.
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