30.9.07

A reentré mais esperada do momento:


É com imenso gosto e redobrada alegria que aqui lhes apresento, senhores e senhoras, a Frente pela Antecipação do Grande Terramoto de Lisboa (FAGTL). Em luta desde 1755 profetizados logo à nascença por Voltaire, no seu livro "Poème sur le Desastre de Lisbonne" de 1756, «vós procurais em paz a causa às trovoadas» (p.37) a esperança é a ultima a morrer.

«Vinde pois, contemplai ruínas desoladas,/ restos, farrapos só, cinzas desventutradas» (p.35).

«Eu respeito o meu Deus, porém amo o universo [quer dizer, «Universo»].»

«Nada sabido é, nada há que não se tema. À natureza muda as questões pôr não vale» (p.47)

«Deus segura a cadeia e não é encadeado;/ seu benfazejo ser tudo há determinado;/ é livre e justo, e não cruel nem vingativo.»
(p.41)

24.9.07

NAVAL CIVIL WAR pag. 7

I.

Imagine-se só um projecto civilizacional que aponta-se para o crescimento ilimitado, a decisão horizontal e uma distribuição universal, onde os valores do amor, da amizade, da tolerância, da igualdade e da liberdade imperassem melhor que a guerra, a inveja, a exploração e a destruição. Com a diminuição das fronteiras à superfície as guerras do futuro serão por causa da água. Ou melhor, sobre a água e isto literalmente, uma vez que chegados ao limite da terra, esta encontra-se com a água, formando a mais infame de todas as fronteiras. Não porque divida mas porque faz sonhar. E faz sonhar sobre o outro lado. Assim a guerra futura será civil, sobre o princípio da civilidade, e.g. a proibição da morte aleatória. E será naval porque se fará sobre a água, à tona, nos sonhos.

23.9.07

I&P

life without you sucks!

21.9.07

Nem tudo o que brilha é oiro às paginas tantas

Aldeia global é por ventura o melhor dos conceitos para descrever a estranheza do mundo tal como lhe vimos hoje. É a aldeia pela quantidade de ligações sociais que conseguimos estabelecer e global porque de facto estas não dependem do espaço. Aliás mesmo com amigos e inimigos nos 5 cantos do mundo a nossa vida ainda não saiu da aldeia, a nossa capacidade social ainda lá permanece.

Criamos a nossa volta uma rede de afectos de horda com um ambiente de mega-metrópole. A isto soma-se-lhe o facto de o tamanho do ambiente social, em termos de número de pessoas, já não estar limitado aos recursos e como tal possível de se estender até aos seis biliões de amigos ou inimigos que cada um pode ter. E de facto isto não acontece por falta de tempo, oportunidade, ou proximidade espacial mas por que os nossos cérebros hordeiros não o permitem. Nem numa cidade com poucos milhares de pessoas a consciência do tamanho da nossa horda chega a essa escala quanto mais para um mundo globalizado.

A globalização não existe como facto social mas antes como possibilidade. E para que tal se estabeleça tem que acontecer o nosso cérebro evoluir nesse caminho. De momento ainda não se deu mas é possível que tal venha acontecer, mas atendendo ao calculo da quantidade de recursos e à experiência da velocidade que essas mudanças ocorrem pode bem ser que nunca o venhamos a experimentar. Pelo menos na nossa versão Homo sapiens.

20.9.07

A metafora infeliz I

"... há que reconhecer que a árvore possui uma complexidade aristocrática, ramifica-se a partir de um centro orgânico e não faz qualquer mistério da sua altura, ao passo que o rizoma representa um tipo de complexidade anarquista e não-hierárquica. Substitui as relações de afinidade por relações de vizinhança ou, o que é o mesmo, coloca-se em rede, o que proporciona a erupção de metáforas mais modernas, horizontais e antigenealógicas. O rizoma é poliorganísmico, pelo que se pode rodear de associações democráticas de base, ao passo que neste aspecto a árvore permanece retratada como completamente monoorganísmica, e há que representá-la como simbolo da monocracia ou do totalitarismo. A árvore é o Estado e o rizoma é o subsolo; um velho esquerdista não hesita muito face a esta alternativa."

Peter Sloterdijk

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I've heard your call,
but I wish I could listen.
I went to a burial
where flowers were missing.